Déficit de profissionais de TI deve chegar a quase 800 mil em 2025, apenas no Brasil

Com a transformação digital batendo à porta, a forma de consumir e existir mudou. O esforço de empresas para se adaptar a essa nova realidade mostra parte dos bastidores da saga em busca de mais agilidade e eficiência. É uma jornada que incluiu, vez ou outra, a caça por funcionários qualificados. Nessa leva estão os profissionais de tecnologia, possivelmente os mais cobiçados pelo mercado atualmente.

Embora sejam disputados pelas empresas há pelo menos quatro décadas, diante da iminência dos primeiros aparelhos “digitais” nos escritórios — como faxes e os antepassados dos computadores — , os profissionais de tecnologia como desenvolvedores, engenheiros de software e cientistas de dados ganharam um novo protagonismo no mercado de trabalho. Isso acontece em função da pandemia e da maratona do ecossistema empresarial brasileiro em favor da inovação.

Segundo uma pesquisa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), os empregos no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, que a associação chama de TIC, cresceram 14,4% no ano passado. A média é mais do que o dobro do registrado nacionalmente quando se trata de outras áreas.

Na mesma toada, um levantamento da plataforma online de vagas Catho mostra que, no primeiro semestre de 2021, o número de posições para a área de tecnologia foi 17,9% superior ao mesmo período de 2020. O cenário, no entanto, não desperta o otimismo de especialistas. Afinal, a conclusão é de que não há gente para todas essas vagas.

A Brasscom, por exemplo, estima que o déficit de profissionais de TI deve chegar a 797 mil até 2025. A justificativa mais aceita é a de que o ritmo de formação não acompanha a crescente demanda do mercado, ou seja, faltam cursos de qualificação e graduações.

A saga das gigantes

Os dados podem evidenciar uma corrida por uma mão de obra primorosa e rara. O desequilíbrio entre oferta e demanda em tecnologia tem obrigado empresas a batalhar pelos poucos profissionais disponíveis. E uma das maneiras para isso é por meio da remuneração.

Dados de uma pesquisa do portal de notícias internacionais Business Insider mostram que grandes companhias de tecnologia, como Google e Amazon, aumentaram contratações e salários durante a pandemia, especialmente para a área de tecnologia. No Google, por exemplo, engenheiros de software podem ganhar até US$ 650 mil por ano. Já na Amazon, cargos relacionados ao desenvolvimento de serviços na nuvem (cloud) têm média salarial anual de US$ 185 mil.

Acompanhar o ritmo de crescimento acelerado é um desafio para as companhias líderes em tecnologia também no Brasil. Em expansão na América Latina há alguns anos, o Google aproveita o bom momento no mercado brasileiro para elevar as intenções de contratação em tecnologia no país. Recentemente, a companhia firmou o compromisso de contratar, até 2023, pelo menos 200 engenheiros. Por lá, domina a visão de que além da missão social com tal compromisso, o gargalo de profissionais pode, em grande medida, atrapalhar os planos de crescimento da empresa.

Ao que tudo indica, a área de tecnologia, vai continuar ditando os rumos do mercado de trabalho neste ano. Uma pesquisa feita pelo grupo de consultorias empresariais PageGroup indica que cargos ligados a áreas como inovação, transformação digital, e-commerce e desenvolvimento continuarão em alta.

Para os desenvolvedores — e outros profissionais da área — essa é uma boa notícia. Afinal, a demanda é tanta que as opções aos montes permitem que os profissionais escolham onde vão trabalhar — e, claro, por quem paga mais.

Barreira para inovação?

A perseguição por quem ocupe essa imensa quantidade de vagas também bate à porta das startups, incluindo os unicórnios brasileiros — empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. As empresas curitibanas Olist e a fintech EBANX são exemplos disso. O unicórnio do e-commerce vai contratar pelo menos 300 pessoas ainda neste ano, aproveitando o ritmo de expansão e o apetite em criar para pequenos lojistas o principal ecossistema para o varejo eletrônico do país. Enquanto o EBANX tem pelo menos 70 vagas abertas — boa parte delas em tecnologia.

Já o Nubank tem mais de 50 vagas abertas, a maior parte para a área de tecnologia da informação, com posições para cientista de dados e engenheiro de software. Olhando o ecossistema de startups do Brasil, é quase impossível encontrar um exemplo de empresa que esteja contratando e que não tenha pelo menos uma vaga em tecnologia.

Embora colaborem com os indicadores de alta no número de posições em aberto nos últimos anos, as startups têm alguns motivos para se preocupar. O apagão de mão de obra pode comprometer os ambiciosos planos dessas empresas em crescer na mesma medida em que recebem aportes milionários. Os investimentos ajudam as empresas a abrirem milhares de vagas — como nos casos de Olist, Nubank e EBANX, e também outros exemplos como a startup Shopper e a fintech Z1, também recém-investidas e com grande apetite por contratações — mas também pressionam empresas a acelerar o passo em busca de gente qualificada.

Inovação Paranaense

Alguns estados se destacam na corrida em busca de preencher o déficit profissional na área de tecnologia. Entre os anos de 2019 e 2020, o Paraná registrou o dobro da média nacional de empregos preenchidos na área, com algo em torno de 10% de crescimento, segundo a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná (Assespro-PR). O estado foi também o sexto no ranking de geração de empregos em TI, com 31,7 mil vínculos ativos em 2021, cerca de 6% do montante nacional.

A influência do mercado de trabalho aquecido para os profissionais de tecnologia e a pressa por inovações capazes de manter os bons níveis de competitividade junto à concorrência mobiliza empresas em uma nova tendência: ao invés de esperar o cenário da formação mudar, elas tomam para si a responsabilidade de “criar” esses profissionais.

No Mercado Livre, a preocupação por correr por fora (ou por dentro) para encontrar esses profissionais deu origem a um programa de educação em tecnologia para jovens meninas, o Conectadas. Além do programa para jovens, o esforço do Meli por mão de obra em TI também incluiu 2,5 mil bolsas de estudo para um curso online de desenvolvimento de software. “Assim, contribuímos diretamente para essa dor de falta de profissionais na área”, disse Laura Mota, gerente de sustentabilidade do Mercado Livre, em entrevista ao GazzConecta.

Outro exemplo desses programas que além da capacitação também olham para a empregabilidade é o Impulso Tec, criado pela startup Descomplica. Durante o mês de janeiro, a instituição recebeu inscrições para um curso de programação gratuito para até 200 pessoas. Ao longo dos três meses de curso, os alunos serão remunerados com R$2.250, e, ao final do programa, terão a chance de serem contratados pela consultoria Accenture ou pelo Itaú.

A busca por criar os profissionais “do zero” vai além das big techs e líderes do varejo e mobiliza companhias de setores diversos. Na Localiza, de mobilidade, isso resultou em um programa de formação em tecnologia com mais de 10 mil bolsas de estudo.

Solução de longo prazo

Apesar das incursões na área de educação, as empresas só podem garantir uma solução de longo prazo ao entender que há um papel social por trás do desejo por novos talentos. Na visão de especialistas de consultorias dedicadas a recursos humanos como PageGroup, Accenture e Robert Half, é preciso avaliar os investimentos das empresas em programas de formação e capacitação tecnológica como uma ação também benéfica para o cenário de empregabilidade do país.

Algumas empresas já veem esse esforço como uma forma de desenvolver seu lado social. É o caso da Take Blip, startup que cria soluções online para comunicação entre marcas e consumidores. No início do ano, a empresa disponibilizou 10 mil vagas em um curso gratuito de programação para iniciantes na área e reconheceu a importância da ação para a sociedade, por meio da formação de novos talentos em TI.

Sem dar o passo maior do que a perna, empresas não podem, contudo, assumir total responsabilidade pela transformação do cenário de déficit profissional na área.  Há um consenso entre especialistas de que é necessária a criação de novas formações, cursos de graduação e extensão em tecnologia, além de investimento público para o amadurecimento do mercado, das empresas contratantes e, é claro, dos milhares de candidatos às vagas de ouro.

 

FONTE: https://www.gazetadopovo.com.br/gazz-conecta/brasil-vai-precisar-de-quase-800-mil-profissionais-de-ti-ate-2025/amp/

 

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