TI precisa de diversidade para suprir deficit na área

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Abertura para diversidade e investimento em formação com recursos públicos, privados e da academia são caminhos apontados por especialistas para combater o deficit de mão de obra na área de tecnologia.

O tema foi debatido durante a segunda edição do seminário O Futuro da Carreira e a Carreira do Futuro, promovido pelo jornal Folha de S.Paulo na última quarta-feira (10). O evento, com patrocínio do Instituto Mauá de Tecnologia, teve mediação do colunista do jornal Vinicius Torres Freire.

Segundo números da Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), até 2025 devem ser criadas quase 800 mil novas vagas de trabalho na área de tecnologia. A projeção aponta um deficit anual de 106 mil profissionais, chegando a 530 mil em cinco anos.

 

Os números refletem o crescimento das TICs (tecnologias da informação e comunicação), impulsionado pela pandemia.

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, em 2021, 81% da população com mais de dez anos tinha acesso à internet. Em 2019, antes da crise sanitária, portanto, o percentual era de 74%.

A criação de um modelo educacional com o aporte financeiro de empresas, em parceria com instituições de ensino, foi sugerida por Angelo Zanini, coordenador dos cursos de engenharia e ciência da computação do Instituto Mauá de Tecnologia.

Segundo o professor, o investimento seria possível com apoio de políticas públicas de incentivo fiscal para empresas interessadas em formar novos talentos. “O governo não tem capacidade de formar todas essas pessoas, mas pode criar políticas públicas para isso.”

Para Danielle Monteiro, que atua com soluções em nuvem na Microsoft, a falta de mão de obra reflete um problema social, a desigualdade de acesso à educação superior, principalmente para mulheres e pessoas negras.

Perdemos talentos pela dificuldade de trazer mais diversidade para tecnologia.”

De acordo com dados divulgados em 2022, pelo PretaLab, plataforma que incentiva a participação de mulheres negras no setor, apenas 11% dos profissionais trabalhando em empresas de tecnologia são mulheres negras e indígenas. Na outra ponta, homens brancos e asiáticos somam 37% do total.

Em cursos de engenharia da computação, pretas, pardas e indígenas são 3% dos matriculados. Na sociedade brasileira, o grupo representa 28% das pessoas. Os números foram reunidos com base em estatísticas da Brasscom e da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE.

“Quando temos times mais diversos trabalhando a base de dados conseguimos gerar inovação de forma eficiente”, afirma Renan Vidmontas, especialista em atração de talentos no Mercado Livre.

Segundo ele, quanto maior a pluralidade etária, de gênero, racial e regional da equipe melhor o desenvolvimento de ferramentas digitais.

Para Ana Minuto, consultora especialista em diversidade, a participação de pessoas de outras áreas, como administração, marketing, vendas e logística, em tecnologia também é importante.

Isso porque abre a possibilidade de troca de carreira, além de levar pessoas de cargos sênior, com anos de experiência no mercado, para dentro da área. “Tecnologia não é só o desenvolvedor”, afirma.

Para investimentos a longo prazo, afirma Minuto, é preciso olhar para o acesso à educação de forma ampla e para os desafios que o país enfrenta desde o ciclo básico. “Precisamos demonstrar aos jovens que é possível estar na área de tecnologia.”

Monteiro, da Microsoft, concorda e diz que existe um desafio pela frente, que é trabalhar mudanças simultâneas a curto, médio e longo prazo. As empresas, acrescenta, precisam ter empatia com as pessoas que estão começando no setor.

A companhia precisa se mostrar segura para o profissional, apresentar um plano de carreira e oferecer possibilidade de desenvolvimento em diferentes áreas, como aprendizado de máquina e big data, afirma Monteiro.

CONVIDADOS DÃO CONSELHOS PARA PROFISSIONAIS RECÉM-FORMADOS; VEJA ABAIXO

– Busque o autoconhecimento

“É assim que o profissional pode descobrir seus valores, potenciais e crenças para encontrar uma empresa em que a sua atuação faça sentido”, aconselha Ana Minuto, 46.

Minuto é consultora especializada em diversidade e inclusão, é coach de carreiras e cocriadora do Potências Negras, evento online sobre desenvolvimento profissional para a população negra. Tem MBA em gerenciamento de projetos pela Fundação Getúlio Vargas e em gerenciamento de serviços de tecnologia da informação pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap).

“É importante ter uma visão ampla dos desafios da educação no país, investir em carreiras e pessoas para que elas tenham oportunidades. Meu convite é para que empresas criem grupos visando desenvolver de talentos.”

– Não tenha medo

“Vá sem medo, enfrente os desafios de entrar no mercado de trabalho”, recomenda Angelo Zanini, 60.

Doutor em engenharia e computação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Zanini é coordenador dos cursos de sistemas de informação, engenharia de computação e ciência da computação do Instituto Mauá de Tecnologia. Foi conselheiro do Crea-SP por dois mandatos. Foi fundador e administrador da Sumus, empresa de inovação tecnológica.

“Precisamos de um pacto nacional para a formação de pessoas na tecnologia. É uma área que impacta diretamente o crescimento e a produtividade do país.”

– Cuide da saúde mental

“O profissional deve sempre zelar pela saúde mental e emocional”, indica Danielle Monteiro, 39.

Monteiro é mestre em engenharia da computação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, da USP, é desenvolvedora. Trabalha com gestão de dados há 20 anos e tem MBA em administração de negócios pelo Ibmec-SP. É arquiteta de soluções em nuvem com foco em gestão de dados e inteligência artificial na Microsoft.

“A atração de profissionais em início de carreira é baseada em empatia, investimento a longo prazo e no desenvolvimento dessas pessoas. Vamos dar oportunidade para que as pessoas desenvolvam seus talentos.”

– Experimente

“Adquira o máximo de conhecimento possível sobre as mais diversas áreas. No começo da carreira, é importante experimentar para descobrir o que você gosta de fazer”, recomenda Renan Vidmontas, 31.

Formado em comunicação social pela ESPM, Renan atua há quatro anos com atração de talentos na área de tecnologia –hoje, trabalha no Mercado Livre. Foi empreendedor durante cinco anos, na área de inovação, atuando de forma integrada nas áreas de recursos humanos e marketing.

“Quando temos times mais diversos trabalhando com nossa base de dados, conseguimos gerar inovação com mais eficiência e, como consequência, entregamos uma experiência melhor ao cliente.”

Fonte:

https://br.financas.yahoo.com/noticias/ti-precisa-diversidade-para-suprir-050500065.html?guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&guce_referrer_sig=AQAAALCzbYIPAt9pkiBp5SyXt0Vaa4sc0xX6-ubx0UIpxHHYYSbUQSzebGTgWV1AjHMvDlAEqIJNFvSY-_O_9Oxj84SgUO__oOs_p1Vij1J99B3myE3NQ1ywS3n2lpSaxRDthT6nrSxGkfD80W8WR4kK53ScsBNNqECLyWqSWrxpEozH&guccounter=1

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